Solange Duprat se tornou diretora interina da agência Tomorrow no capítulo de “Vale Tudo” que foi ao ar nesta terça-feira (17). A personagem de Alice Wegmann assumiu a função depois de o chefe, Renato (João Vicente de Castro), ser afastado por uma crise de burnout. Como se já não fosse sobrecarregada o suficiente, a “Chérie” tem o desafio de superar os muitos problemas de organização da empresa.
Ao longo dos quase três meses de novela, a Tomorrow já demonstrou erros que impressionam até os mais entusiastas da ficção. A empresa, por exemplo, só adotou um sistema de armazenamento em nuvem após a chegada de Leila (Carolina Dieckmann) na equipe.
Esta defasagem, aliás, beneficiou Maria de Fátima (Bella Campos). Com o objetivo de atrapalhar uma viagem de Solange com Afonso (Humberto Carrão), a vilã apagou um projeto que a rival passou a madrugada fazendo. Sem o auxílio da nuvem, todo o trabalho foi perdido.
Para comentar esses erros e sugerir soluções, o Purepeople convidou Petter Oliveira, fundador da empresa Petter Organiza. Especialista em marketing, ele também auxilia firmas e profissionais que necessitam de organização digital estratégica.
Petter destaca que a desorganização da Tomorrow pode ter sido um dos principais fatores para o esgotamento de Renato. “Desorganização não é só estética, mas sim uma forma de sobrecarga cognitiva. Quando tudo está solto, mal classificado ou inacessível, o cérebro entra em modo ‘caça ao tesouro’ o tempo todo. Isso consome energia, atenção, tempo e alimenta a sensação de que você está sempre atrasado, esquecendo algo, falhando”, alerta.
O organizador digital também reforça a importância da implementação da nuvem, para evitar perdas de documentos como aconteceu com Solange. Além dos riscos técnicos, a ausência desta tecnologia pode acarretar muito desgaste humano, como estresses, falhas de comunicação e perda de confiança entre colegas. “Em resumo, quando a informação não flui, a equipe trava”, ressalta.
A principal urgência para Solange melhorar o cenário em sua gestão é investir em rotina digital na Tomorrow. “Significa que tudo o que é recorrente ou previsível precisa estar sistematizado de forma clara, acessível e confiável. Na prática? Arquivos bem nomeados e salvos em locais compartilhados; reuniões documentadas, com decisões registradas; agendas sincronizadas; fluxos de trabalho padronizados e acesso fácil às informações certas, por quem precisa, quando precisa. Estrutura digital não é sobre software. É sobre reduzir fricção, ruído e retrabalho”, explica o especialista.
Achar que organização é só uma planilha bonita: “Organização começa no comportamento, não no Excel.”
Centralizar tudo por insegurança ou pressa: “Delegar com clareza é mais seguro do que tentar controlar tudo.”
Não documentar decisões: “O que não é registrado, vira ruído ou retrabalho.”
Atender a todos, o tempo todo: “Liderar também é proteger o próprio foco. Sem isso, ela segue no ciclo da sobrecarga.”
“Se Solange quiser virar o jogo, o primeiro passo não é 'fazer mais', mas estruturar melhor. Menos improviso, mais clareza. Porque no fim das contas, o problema nunca é só a agenda, é o sistema. Organização é uma forma de cuidado coletivo. Organizar não é controlar, é distribuir capacidade de ação. Quanto mais descentralizado for o saber, mais leve será a liderança e mais sustentável o trabalho em equipe”, aconselha Petter.